Avishai Cohen é um grande compositor. Canta lindo desde Aurora. E toca o baixo também de forma especial: o som soa cheio e elástico com seus glissandos não temperados. Seu último disco Seven Seas tem músicas maravilhosas, assim como os dois que o antecederam: Aurora e Gently Disturbed. No show em São Paulo, mostrou algumas ainda não registradas; uma, com melodia meio mântrica, suave e ligeiramente tortuosa que sabe bem fazer, foi a que mais gostei.
Para mim, Avishai nunca se encaixou na categoria de músico de jazz. É um artista pop, um roqueiro sofisticado. Aliás, bom para dançar como poucos. Em São Paulo, contudo, apresentou seu lado jazzista (no mau sentido), com improvisos longos (principalmente do ótimo baterista), que só servem para divertir os músicos (do palco e da platéia). Como é cafona um músico solando um improviso e em seguida o público aplaudindo excitado! Acho que li em algum lugar sobre a diferença do improviso no jazz e no choro nos seus primórdios. Deve-se duvidar dessa igualdade americana, como se a hierarquia não fosse fundamental. Também na música! Nesse ponto, sou mais o contracanto do Pixinguinha, driblando com passos malandros os espaços deixados pela melodia principal.
O show poderia ter sido incrível, mas não foi. Talvez porque era a primeira vez que tocavam juntos ele, o baterista e o pianista (seu grande pianista Shai Maestro não veio), talvez porque simplesmente não estivesse bem disposto (foi a impressão que me deu, que estava meio sem saco, burocrático, batendo ponto). De qualquer maneira, as bonitas composições do início e ele cantando tão inspirado, sozinho com o baixo, Morenika, confirmou para mim a imagem do grande artista que tinha dele. Pode ser isso uma qualidade dos grandes: Nana Caymmi também é capaz de emocionar o mundo cantando assim como quem não está sentindo nada.


